quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

SEM CHUVA, ATÉ AS ABELHAS DEIXAM O SERTÃO

Muitos apicultores do RN estão com a produção prejudicada pela seca (Foto: Rafael Barbosa/G1)   A seca que assola o interior do Rio Grande do Norte também está prejudicando a apicultura. O criador de abelhas Raimundo Torres da Silva ainda não conseguiu produzir mel neste ano. Boa parte da renda com a qual ele sobrevive é retirada da apicultura, mas a atividade foi inviabilizada por causa da seca.
Neste final de semana, uma equipe da Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Norte (Faern) realizou uma expedição a cinco municípios das regiões Central, Oeste e Seridó do estado para constatar a gravidade da situação.
A seca matou todos os cajueiros da propriedade de Raimundo, onde ele também cria vacas. “Eram vinte e um animais. Hoje, tenho só nove. O resto morreu sem água”, relatou. A estiagem também está causando prejuízo à produção de mel. Os cajueiros eram utilizados no processo produtivo, mas com a falta de chuvas, as árvores secaram e as abelhas foram embora da região.
Raimundo Torres contou que a produção do mel que desenvolve em Apodi vem caindo nos últimos anos. Segundo ele, em 2011 conseguiu extrair 3 mil litros de mel. Em 2012 a produção caiu para pouco mais de mil litros. Já este ano, ainda não houve produção.O apicultor contou que procurou o Banco do Nordeste para tentar um empréstimo e aplicar o dinheiro na produção para tentar escapar da seca. Porém, disse que foi informado pelos agentes do banco que, caso optasse pelo financiamento, perderia o benefício do Bolsa Família. A mulher do agricultor recebe R$102 do Governo Federal por mês.
Apicultor prejudicado pela seca em Apodi, RN (Foto: Rafael Barbosa/G1)                                                                    Apicultor Raimundo Torres da Silva

O superintendente do Banco do Nordeste no Rio Grande do Norte, José Nilton Castro Martins, alertou que o apicultor deve ter sido mal informado na agência que procurou, porque o financiamento não poderia ter sido negado a ele. De acordo com o superintendente, o programa Bolsa Família é ligado à renda e o empréstimo não é considerado renda, pois o beneficiado devolve o dinheiro ao banco através das parcelas.
Entre os produtores visitados pela expedição, também foi unânime a reclamação da demora na aprovação dos créditos financiados pelo Banco do Nordeste. João Nilton disse que a burocracia é inevitável, pois o dinheiro disponibilizado é público.
O superintendente afirmou que houve um aumento nas solicitações de crédito devido ao agravamento dos problemas provocados pela estiagem. João Nilton também confirmou que o BNB realizou mais de 20 mil operações de crédito no Rio Grande do Norte, totalizando mais de R$ 160 milhões.

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